{"id":3421,"date":"2023-01-17T14:45:10","date_gmt":"2023-01-17T17:45:10","guid":{"rendered":"http:\/\/adepol-al.com.br\/portal\/?p=3421"},"modified":"2023-01-17T14:45:10","modified_gmt":"2023-01-17T17:45:10","slug":"comentarios-sobre-a-injuria-racista-recreativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adepol-al.com.br\/portal\/comentarios-sobre-a-injuria-racista-recreativa\/","title":{"rendered":"Coment\u00e1rios sobre a inj\u00faria racista recreativa"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2023-jan-17\/comentarios-injuria-racista-recreativa#author\">Por\u00a0Adriano Sousa Costa,\u00a0Ivana David\u00a0e\u00a0William Bretz<\/a><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><strong>Breve hist\u00f3rico<\/strong><br \/>\n<span lang=\"PT\">A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 traz expresso o rep\u00fadio ao racismo, bem como, em seu artigo 5\u00ba, inciso XLII, imp\u00f4s-lhe o r\u00f3tulo da inafian\u00e7abilidade e da imprescritibilidade. Posteriormente, o legislador editou a Lei 7.716, de 1989, chamada de Lei Ca\u00f3 ou Lei do Racismo, a qual definia os crimes resultantes de preconceito de ra\u00e7a ou cor. N\u00e3o que esta tenha sido a primeira lei a tratar da tem\u00e1tica, at\u00e9 porque a Afonso Arinos (Lei n\u00ba 7.437\/85) lhe precedia cronologicamente.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\"><img decoding=\"async\" class=\"direita\" src=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/img\/b\/adriano-sousa-costa2.png\" alt=\"\" width=\"220\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Em 1997, atento aos outros tipos de preconceito, houve o primeiro ajuste substantivo no conceito de racismo, que, segundo a reda\u00e7\u00e3o inicial da Lei 7.716\/89, limitava-se a preconceitos de ra\u00e7a e cor. A partir da Lei 9.459\/97, incluiu-se no seu conceito os motivos de\u00a0<em>etnia, religi\u00e3o e proced\u00eancia nacional<\/em>, bem como se criou o instituto da inj\u00faria preconceito ou racial no \u00a73\u00ba do artigo 140 do C\u00f3digo Penal.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">O STF, em 2021, ao decidir o\u00a0<em>case<\/em>\u00a0do HC 154.248, entendeu que a inj\u00faria preconceito\/racial do artigo 140, \u00a7 3\u00ba, do CP era esp\u00e9cie da racismo e, por sua vez, imprescrit\u00edvel, n\u00e3o importando se o tipo penal se encontra na Lei 7.716\/89 ou no C\u00f3digo Penal.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\">Por fim<span lang=\"PT\">, recentemente, o Congresso nacional editou a Lei 14.532\/2023, trazendo modifica\u00e7\u00f5es na Lei de Racismo, incluindo o artigo 2\u00ba-A, o qual, \u00e0 luz do princ\u00edpio da continuidade normativo-t\u00edpica, trouxe parte da inj\u00faria preconceito para o bojo da Lei 7.716\/1989<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA indent1\"><em><span lang=\"PT\">&#8220;Art. 2\u00ba-A \u2014\u00a0<strong>Injuriar<\/strong>\u00a0algu\u00e9m,\u00a0<strong>ofendendo<\/strong>-lhe a dignidade ou o decoro, em\u00a0<strong>raz\u00e3o de ra\u00e7a, cor, etnia ou proced\u00eancia nacional.<\/strong>\u00a0Pena: reclus\u00e3o, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.<\/span><\/em>\u00a0<em><span lang=\"PT\">Par\u00e1grafo \u00fanico. A pena \u00e9 aumentada de metade se o crime for cometido mediante concurso de 2 (duas) ou mais pessoas.\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Em face dessa transposi\u00e7\u00e3o de elementares, esvaziou-se a reda\u00e7\u00e3o do \u00a73\u00ba do artigo 140 do CP, que passou a trazer a seguinte reda\u00e7\u00e3o:<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA indent1\"><em><span lang=\"PT\">&#8220;Art. 140 (\u2026)<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span lang=\"PT\">\u00a7 3\u00ba. Se a inj\u00faria consiste na utiliza\u00e7\u00e3o de elementos referentes a\u00a0<strong>religi\u00e3o ou \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de pessoa idosa ou com defici\u00eancia<\/strong>:<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span lang=\"PT\">Pena &#8211; reclus\u00e3o, de 1 (um) a 3 (tr\u00eas) anos, e multa.&#8221;<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><strong><span lang=\"PT\">Inj\u00faria preconceito x inj\u00faria racista<\/span><\/strong><br \/>\n<span lang=\"PT\">Desde a Lei n\u00ba 9.459, de 1997, a doutrina vem rotulando o\u00a0<\/span><span lang=\"PT\">\u00a73\u00ba do artigo 140 do CP com os nomes jur\u00eddicos<em>\u00a0inj\u00faria preconceito ou inj\u00faria racial,<\/em>\u00a0tratadas como express\u00f5es sin\u00f4nimas.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Ao passo que o legislador optou por realocar o n\u00facleo central do referido tipo penal na Lei de Racismo, ou seja, o preconceito baseado em ra\u00e7a, cor, etnia ou proced\u00eancia nacional, conclu\u00edmos que n\u00e3o h\u00e1 mais motivos para o uso da terminologia racial ou racista para o referido dispositivo do C\u00f3digo Penal.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Por isso, a nosso ver, a inj<\/span><span lang=\"PT\">\u00faria inserida no artigo 2\u00ba-A da lei 7.716\/89 \u00e9 que deve ser tecnicamente intitulada de\u00a0<strong><em>inj\u00faria racista ou racial<\/em>,<\/strong>\u00a0remanescendo para o artigo 140, \u00a73\u00ba do CP a terminologia\u00a0<strong><em>inj\u00faria preconceito<\/em><\/strong><em>,<\/em>\u00a0na qual\u00a0<u>se insere a<\/u>\u00a0inj\u00faria\u00a0<u>et\u00e1ria, religiosa e a capacitista.<\/u><\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><strong><u><span lang=\"PT\">Inj\u00faria religiosa: entre o antissemitismo e a liberdade religiosa.<\/span><\/u><\/strong><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><u><span lang=\"PT\">A Lei 9.459\/97 incluiu as circunst\u00e2ncias de etnia, de religi\u00e3o e de proced\u00eancia nacional na defini\u00e7\u00e3o de inj\u00faria racial (artigo 140, \u00a73\u00ba do CP); contudo essa l\u00f3gica foi abandonada parcialmente na novel reda\u00e7\u00e3o do artigo 2\u00ba-A.<\/span><\/u><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><u><span lang=\"PT\">O legislador cometeu o equ\u00edvoco de permitir que a discrimina\u00e7\u00e3o religiosa remanes\u00e7a no crime de inj\u00faria preconceito, n\u00e3o sendo transportada para o novel artigo 2\u00ba-A.<\/span><\/u><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><u><span lang=\"PT\">Essa decis\u00e3o chama a aten\u00e7\u00e3o pois a discrimina\u00e7\u00e3o religiosa \u2014 em todas as suas facetas \u2014 foi pano de fundo de uma das atrocidades da hist\u00f3ria da humanidade. O holocausto se originou das entranhas da intoler\u00e2ncia religiosa, enraizando-se, gradualmente, na sociedade, com a permissividade de grupos de interesse oportunistas que, almejando proveitos pessoais, promoveram atos de extirpa\u00e7\u00e3o de incont\u00e1veis vidas. E, no Brasil, o debate sobre o antissemitismo foi objeto de\u00a0<em>case<\/em>\u00a0do STF (HC 82.424) no qual se reconheceu o racismo religioso.<\/span><\/u><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><u><span lang=\"PT\">De outro turno, a decis\u00e3o legislativa de n\u00e3o potencializar o\u00a0<em>status<\/em>\u00a0da inj\u00faria religiosa pode ter se dado para n\u00e3o criminalizar de forma mais ampla o proselitismo religioso, vez que o STF inclusive j\u00e1 reconheceu sua licitud<\/span><\/u><span lang=\"PT\">e (ROHC n\u00ba 134.682\/ BA), permitindo-se\u00a0<u>que adeptos de uma r<\/u>eligi\u00e3o busquem o resgate religioso de integrantes de outras religi\u00f5es ou seitas.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Conquanto a Lei n\u00ba 14.532\/2023 tenha conferido causa de aumento de pena em face de condutas discriminat\u00f3rias ou preconceituosas que ocorram no contexto de atividades religiosas (artigo 20, \u00a7 2\u00ba-A, da Lei n\u00ba 7.716\/89), isso n\u00e3o significou a criminaliza\u00e7\u00e3o da atividade religiosa; na verdade, o legislador mitigou expressamente a incid\u00eancia do referido tipo penal em outro ponto, imputando o mesmo gravame penal \u00e0queles que obstam, impedem ou empregam viol\u00eancia contra quaisquer manifesta\u00e7\u00f5es ou pr\u00e1ticas religiosas.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">O mesmo Direito Penal que protege a liberdade religiosa, incrimina tamb\u00e9m a intoler\u00e2ncia religiosa em face de outros grupos.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Em algumas circunst\u00e2ncias, ser\u00e1 dif\u00edcil para o operador do direito resolver essa equa\u00e7\u00e3o, principalmente porque alguns dogmas das religi\u00f5es se confrontam com a percep\u00e7\u00e3o daqueles que n\u00e3o comungam das mesmas cren\u00e7as de salva\u00e7\u00e3o e, portanto, sentem-se discriminados.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">E as diferentes perspectivas, a nosso ver, ainda que permeadas por falas acaloradas de proselitismo religioso, n\u00e3o s\u00e3o os objetos de incrimina\u00e7\u00e3o\u00a0<u>do presente diploma. Se n\u00e3o h\u00e1 crime de diverg\u00eancia hermen\u00eautica de normas jur\u00eddicas, menos raz\u00e3o ainda para se punir vis\u00f5es diferentes (e igualmente leg\u00edtimas) da vida humana e da religiosidade intr\u00ednseca da humanidade. Tudo, \u00e9 claro, se ocorrido sem abuso ou exagero.<\/u><\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Mas toda essa discuss\u00e3o mais profunda n\u00e3o alcan\u00e7a a inj\u00faria religiosa, pois, como dito, o legislador optou por n\u00e3o internaliz\u00e1-la na Lei n\u00ba 7.716\/89, deixando-a \u00e0 margem desse processo de endurecimento legal.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><strong><span lang=\"PT\">Dolo espec\u00edfico ao quadrado<\/span><\/strong><br \/>\n<span lang=\"PT\">Antes da Lei 14.532\/2023, a jurisprud\u00eancia dos Tribunais Superiores era pac\u00edfica acerca da necessidade da presen\u00e7a de elemento especial do dolo ou dolo espec\u00edfico, qual seja o\u00a0<em>animus injuriandi,<\/em>\u00a0para a configura\u00e7\u00e3o do crime de inj\u00faria (artigo 140, \u00a73\u00ba, do CP). Necess\u00e1rio mostrar que a inten\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo era a de ofender a honra de outrem, portanto. Ratificando tal entendimento, o STJ, em seu ement\u00e1rio &#8220;Jurisprud\u00eancia em Teses&#8221; de n\u00ba 130\u00a0<\/span><a title=\"\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2023-jan-17\/comentarios-injuria-racista-recreativa#_ftn1\" name=\"_ftnref\"><span lang=\"PT\">[1]<\/span><\/a><span lang=\"PT\">, publicado em 9\/8\/2019, assim disp\u00f4s:<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA indent1\"><span lang=\"PT\">&#8220;<\/span><em><span lang=\"PT\">1) Para a\u00a0<strong>configura\u00e7\u00e3o dos crimes contra a honra<\/strong>, exige-se a demonstra\u00e7\u00e3o m\u00ednima do intento positivo e deliberado de ofender a honra alheia (dolo espec\u00edfico), o denominado\u00a0<strong>animus caluniandi, diffamandi vel injuriandi<\/strong>.&#8221;<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"PadroA\">Contudo, \u00e0 medida que\u00a0<span lang=\"PT\">a Lei 14.532 de 2023 trouxe causa de aumento inserida no artigo 20-A (contexto ou inten\u00e7\u00e3o recreativa), abriu-se a discuss\u00e3o sobre o poss\u00edvel abandono do\u00a0<em>animus injuriandi<\/em>.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><em><span lang=\"PT\">&#8220;Art. 20-A. Os crimes previstos nesta Lei ter\u00e3o as penas aumentadas de 1\/3 (um ter\u00e7<\/span><\/em><em><span lang=\"IT\">o) at<\/span><\/em><em><span lang=\"FR\">\u00e9\u00a0<\/span><\/em><em><span lang=\"PT\">a metade, quando ocorrerem\u00a0<strong>em contexto<\/strong><\/span><\/em><em><span lang=\"FR\">\u00a0ou\u00a0<\/span><\/em><strong><em><span lang=\"PT\">com intuito<\/span><\/em><\/strong><em><span lang=\"PT\">\u00a0de descontra\u00e7\u00e3<\/span><\/em><em><span lang=\"IT\">o, divers<\/span><\/em><em><span lang=\"PT\">\u00e3o ou recrea\u00e7\u00e3<\/span><\/em><em><span lang=\"IT\">o.<\/span><\/em>\u00a0<span lang=\"ES-TRAD\"><a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2023-2026\/2023\/Lei\/L14532.htm%23art1\">(<\/a><a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2023-2026\/2023\/Lei\/L14532.htm%23art1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Inclu<\/a><\/span><span lang=\"PT\"><a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2023-2026\/2023\/Lei\/L14532.htm%23art1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00eddo<\/a>\u00a0pela Lei n\u00ba 14.532, de 2023)&#8221;<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Antes de tecer coment\u00e1rios mais profundos sobre os referidos dolos espec\u00edficos, importante evidenciar a estranha f\u00f3rmula adotada pelo legislador. Equiparou contexto com intencionalidade para fins de majora\u00e7\u00e3o da pena.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Perceba-se que &#8220;em contexto de recrea\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 circunst\u00e2ncia objetiva; por exemplo, \u00e9 um palco de teatro, um show musical, uma festa ou uma roda de amigos. Trata-se de uma an\u00e1lise contextual que se traduz em objetividade. Por isso, n\u00e3o \u00e9 motiva\u00e7\u00e3o, mas sim circunst\u00e2ncia. J\u00e1 o segundo momento do tipo legal trata de motiva\u00e7\u00e3o recreativa e, por esta raz\u00e3o, elemento motivacional\/subjetivo, traduzido pela express\u00e3o &#8220;com o intuito de&#8221;. Equipara o legislador inadvertidamente essas duas circunst\u00e2ncias de diferentes naturezas.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">O elemento subjetivo especial &#8220;com intuito de recrea\u00e7\u00e3o&#8221; (artigo 20-A) pode ser aplicado a todo e qualquer tipo penal da Lei n\u00ba 7.716\/89. Quando aplic\u00e1vel a um tipo penal que n\u00e3o requer expressamente qualquer elemento subjetivo especial, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma dificuldade pr\u00e1tica em faz\u00ea-lo. O dolo espec\u00edfico serve para justificar a maior reprimenda legal, inclusive.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">D\u00favidas maiores surgem quando nos deparamos com a necessidade de coexist\u00eancia de elemento subjetivo espec\u00edfico previsto \u2014 impl\u00edcita ou expressamente \u2014 no tipo penal e o outro do artigo 20-A (com o intuito de recrea\u00e7\u00e3o).\u00a0<\/span>E\u00a0<span lang=\"PT\">a inj\u00faria racista majorada pelo intuito ou contexto recreativo se amolda a essa situa\u00e7\u00e3o mais complexa de dois dolos espec\u00edficos. Nesse caso, h\u00e1 se considerar a coexist\u00eancia destes, ou seja, aplica-se o que chamamos de\u00a0<em>dolo espec\u00edfico ao quadrado<\/em>. A inten\u00e7\u00e3o recreativa \u00e9 a raz\u00e3o exponencial do\u00a0<em>animus injuriandi,<\/em>\u00a0pois facilita e potencializada a consolida\u00e7\u00e3o do preconceito nas estruturas sociais.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Por isso, a nosso ver, a inj\u00faria racista ordin\u00e1ria requer somente o\u00a0<em>animus injuriandi<\/em>\u00a0para a sua consuma\u00e7\u00e3o. Contudo, se as palavras racistas e injuriosas forem proferidas com intuito ou no contexto recreativos, servindo o autor de tal subterf\u00fagio para\u00a0<strong><em>camuflar o seu inequ\u00edvoco intuito de ofender, torna-se poss\u00edvel a incid\u00eancia da inj\u00faria racista majorada pelo contexto ou intuito recreativo.<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">A conduta racista injuriosa, quando escamoteada pelo manto da menor reprovabilidade social, \u00e9 estruturalmente mais grave do que a conduta realizada \u00e0s claras e percept\u00edvel em sua intencionalidade real por todos. Por isso a possibilidade de majora\u00e7\u00e3o da pena, frisamos.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">E esse argumento sobre a maior reprovabilidade de condutas ardilosas \u00e9 comum no C\u00f3digo Penal, quando, por exemplo, citamos o homic\u00eddio praticado com emboscada ou o furto mediante fraude.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">O motivo de tal constru\u00e7\u00e3o legislativa parece ser a inten\u00e7\u00e3o de desestimular a defesa de que, por terem sido os dizeres propalados em circunst\u00e2ncia ou intencionalidade recreativas, n\u00e3o h\u00e1 se considerar criminosa. Entretanto a jurisprud\u00eancia j\u00e1 vinha se afastando de teses defensivas que utilizavam a com\u00e9dia como justificativa para ofensas claras e deliberadas. Vejamos:<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA indent1\"><em><span lang=\"PT\">&#8220;RECURSO ESPECIAL N\u00ba 1934802 &#8211; RS (2021\/0120690-7)<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span lang=\"PT\">DECIS\u00c3O<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span lang=\"PT\">Trata-se de recurso especial interposto em face de ac\u00f3rd\u00e3o que deu parcial provimento ao apelo defensivo, assim ementado: PENAL. PROCESSUAL PENAL. DISCRIMINA\u00c7\u00c3O E PRECONCEITO DECORRENTE DE RA\u00c7A, COR, ETNIA, RELIGI\u00c3O OU PROCED\u00caNCIA NACIONAL. ARTIGO 20, \u00a7\u00a7 1. \u00ba E 2.\u00ba, DA LEI N.\u00ba 7.716\/89. MAT<\/span><\/em><em><span lang=\"PT\">E<\/span><\/em><em><span lang=\"PT\">RIALIDADE. AUTORIA. DOLO REQUERIDO PELO TIPO. PRESENTES. DOSIMETRIA. FIXA\u00c7\u00c3O DA PENA-BASE AQU\u00c9M DO M\u00cdNIMO LEGAL NA SEGUNDA FASE DA DOSIMETRIA. IMPOSSIBILIDADE. PRINC\u00cdPIO DA CORRELA\u00c7\u00c3O. CRIME CONTINUADO. INEXIST\u00caNCIA DE OFENSA. N\u00daMERO DE DIAS- MULTA. INCOMPATIBILIDADE COM A PENA APLICADA. APELO PROVIDO PARA COMPATIBILIZAR COM A FRA\u00c7\u00c3O DE AUMENTO DO CRIME CONTINUADO. VALOR DO DIA-MULTA. PRESTA\u00c7\u00c3O PECUNI\u00c1RIA. MANTIDOS NOS TERMOS FIXADOS NA SENTEN\u00c7A.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span lang=\"PT\">1.\u00a0<\/span><\/em><strong><em><span lang=\"PT\">O dolo requerido pelo tipo penal verificado presente. Ainda que afirme n\u00e3o haver pretendido menosprezar ra\u00e7a ou etnia<\/span><\/em><\/strong><em><span lang=\"PT\">, a cabal admiss\u00e3o no interrogat\u00f3rio de que sabia da possibilidade de repercuss\u00e3o penal das condutas praticadas demonstra o dolo.<\/span><\/em><\/p>\n<p><strong><em><span lang=\"PT\">2. A alega\u00e7\u00e3o de que estava praticando esp\u00e9cie de humor, n\u00e3o serve para afastar o delito.<\/span><\/em><\/strong>\u00a0<strong><em><span lang=\"PT\">A jurisprud\u00eancia registra precedente de exclus\u00e3o do delito quando verificado o mero \u00e2nimo narrativo, ina<\/span><\/em><\/strong><strong><em><span lang=\"PT\">d<\/span><\/em><\/strong><strong><em><span lang=\"PT\">mitindo a exclus\u00e3o na presen\u00e7a de animus jocandi.<\/span><\/em><\/strong><\/p>\n<p><em><span lang=\"PT\">(&#8230;)&#8221;<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Ainda que n\u00e3o baste a alega\u00e7\u00e3o de\u00a0<\/span><em><span lang=\"PT\">animus jocandi<\/span><\/em><span lang=\"PT\">, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a\u00a0<\/span><span lang=\"PT\">incid\u00eancia de tal dispositivo incriminador (em sua forma fundamental ou majorada) quando n\u00e3o houver \u00e2nimo de ofender.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Pelo exposto, a\u00a0<\/span><span lang=\"PT\">Lei 14.532 de 2023<\/span><span lang=\"PT\">\u00a0n\u00e3o afastou a necessidade de\u00a0<\/span><em><span lang=\"PT\">animus injuriandi<\/span><\/em><span lang=\"PT\">\u00a0para a consuma\u00e7\u00e3o do artigo 2\u00ba-A da Lei n\u00ba 7.716\/89. Sob a alega\u00e7\u00e3o de necessidade de rompimento da tend\u00eancia ao racismo estrutural, mas sem abandono do vi\u00e9s finalista do Direito Penal brasileiro, passou-se a agravar a situa\u00e7\u00e3o daqueles que, com a inequ\u00edvoca inten\u00e7\u00e3o de ofender racialmente uma pessoa, utilizarem-se de fins ou contextos recreativos para escamotearem seu desiderato esp\u00fario.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">A interpreta\u00e7\u00e3o equivocada de que o artigo 20-A, por trazer um outro dolo esp<\/span><span lang=\"PT\">e<\/span><span lang=\"PT\">c\u00edfico, torna desnecess\u00e1ria a inten\u00e7\u00e3o do agente de ofender pessoa ou grupo de pessoas determinados (<\/span><em><span lang=\"PT\">animus injuriandi<\/span><\/em><span lang=\"PT\">), afasta-se das balizas do finalismo, porquanto se preocupa mais com fatos e circunst\u00e2ncias objetivas do que com a intencionalidade do agente.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><strong><span lang=\"PT\">Sujeito passivo da inj\u00faria racista<\/span><\/strong><br \/>\n<span lang=\"PT\">Tal qual se dava na inj<\/span><span lang=\"PT\">\u00faria preconceito (<\/span><span lang=\"PT\">artigo 140, \u00a73\u00ba do CP)<\/span><span lang=\"PT\">, na novel inj\u00faria racista o sujeito passivo \u00e9 grupo de pessoas ou pessoa determinada, vez que a conduta racista segregacionista, quando dirigida a pessoas indeterminadas, subsumir-se-ia ao artigo 20 da Lei de Racismo.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Se assim n<\/span><span lang=\"PT\">\u00e3o o fosse, estar-se-ia criminalizando a com\u00e9dia, os comediantes e a liberdade de express\u00e3o, ainda que os dizeres de tais profissionais n\u00e3o estivessem emb<\/span><span lang=\"PT\">e<\/span><span lang=\"PT\">bidos claramente da inten\u00e7\u00e3o de ofender algu\u00e9m ou a uma coletividade de pessoas determinadas.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Ademais, criar-se-iam situa<\/span><span lang=\"PT\">\u00e7\u00f5es esdr\u00faxulas, pois, independentemente de quem fala, o crime incidiria. Um negro fazendo piada sobre caracter\u00edsticas negras, conduziria a incid\u00eancia do tipo penal em comento? Filmes e s\u00e9ries antigos (que contenham conte\u00fado jocoso sobre tal tem\u00e1tica), ao n\u00e3o serem tirados imediatamente do ar, colocariam seus difusores ou mantenedores sob a mira da referida infra\u00e7\u00e3o penal? O dolo ao quadrado resolve bem essa celeuma, afastando a incid\u00eancia de tal forma fundamental ou mesmo a majorada do crime.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><strong><span lang=\"PT\">Imunidades<\/span><\/strong><br \/>\n<span lang=\"PT\">O C<\/span><span lang=\"PT\">\u00f3digo Penal, em seu artigo 142, contempla expressamente as imunidades jud<\/span><span lang=\"PT\">i<\/span><span lang=\"PT\">ci\u00e1ria, liter\u00e1ria, art\u00edstica e funcional, afastando a incid\u00eancia da inj\u00faria e difama\u00e7\u00e3o nessas circunst\u00e2ncias. Tais imunidades n\u00e3o abrangem a cal\u00fania, vez que h\u00e1 maior grau de int<\/span><span lang=\"PT\">e<\/span><span lang=\"PT\">resse p\u00fablico envolvido, pois a imputa\u00e7\u00e3o versa sobre crime (ainda que falso ou in<\/span><span lang=\"PT\">e<\/span><span lang=\"PT\">xistente).<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">N<\/span><span lang=\"PT\">\u00e3o obstante o exposto, mantendo-se coer\u00eancia com o que se defendeu sobre a necessidade de\u00a0<\/span><em><span lang=\"PT\">animus injuriandi<\/span><\/em><span lang=\"PT\">, s\u00f3 h\u00e1 que se permitir a incid\u00eancia da inj\u00faria racista se, utilizando-se das prerrogativas funcionais, ficar claro que as usa para criar subterf\u00fagio para a pr\u00e1tica de racismo.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Se n<\/span><span lang=\"PT\">\u00e3o existe direito absoluto na Constitui\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o existe imunidade absoluta no C\u00f3digo Penal. Qualquer pessoa que ofenda algu\u00e9m, travestindo a sua inte<\/span><span lang=\"PT\">n<\/span><span lang=\"PT\">cionalidade racista de r\u00f3tulos laborais, n\u00e3o se faz merecedor da prote\u00e7\u00e3o legal.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Assentou-se, por fim, que, como qualquer direito individual, a garantia constitucional da liberdade de express\u00e3o n\u00e3o \u00e9 absoluta, podendo ser afastada quando ultrapassar seus limites morais e jur<\/span><span lang=\"PT\">\u00ed<\/span><span lang=\"PT\">dicos, como no caso de manifesta\u00e7\u00f5es de conte\u00fado imoral que implicam ilicitude penal. Por isso, no caso concreto, a garantia da liberdade de express\u00e3o foi afastada em nome dos princ\u00edpios da di<\/span><span lang=\"PT\">g<\/span><span lang=\"PT\">nidade da pessoa humana e da igualdade jur\u00eddica. (HC 82.424 &#8211; STF)<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">O pr<\/span><span lang=\"PT\">\u00f3prio legislador, na reda\u00e7\u00e3o o inciso II do artigo 142 do C\u00f3digo Penal, deixa transparecer a l\u00f3gica aqui defendida, principalmente quando menciona &#8220;salvo quando inequ\u00edvoca a inten\u00e7\u00e3o de injuriar ou difamar\u201d. Vejamos:<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA indent1\"><em><span lang=\"PT\">&#8220;Exclus\u00e3o do crime<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span lang=\"PT\">Art. 142 &#8211; N\u00e3o constituem inj\u00faria ou difama\u00e7\u00e3o pun\u00edvel:<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span lang=\"PT\">I &#8211; a ofensa irrogada em ju\u00edzo, na discuss\u00e3o da causa, pela parte ou por seu procurador;<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span lang=\"PT\">II &#8211; a opini\u00e3o desfavor\u00e1vel da cr\u00edtica liter\u00e1ria, art\u00edstica ou cient\u00edfica,\u00a0<\/span><\/em><strong><span lang=\"PT\">salvo quando inequ\u00edvoca a inten\u00e7\u00e3o de injuriar ou difamar<\/span><\/strong><em><span lang=\"PT\">;<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span lang=\"PT\">III &#8211; o conceito desfavor\u00e1vel emitido por funcion\u00e1rio p\u00fablico, em aprecia\u00e7\u00e3o ou informa\u00e7\u00e3o que preste no cumprimento de dever do of\u00edcio.&#8221;<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><strong><span lang=\"PT\">Grupos minorit\u00e1rios: elemento objetivo descritivo ou normativo do tipo?<\/span><\/strong><br \/>\n<span lang=\"PT\">O artigo 20-C norteia a interpreta\u00e7\u00e3o judicial voltando-se os olhos para a pessoa ou grupos minorit\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA indent1\"><em><span lang=\"PT\">&#8220;Art. 20-C. Na interpreta\u00e7\u00e3o desta Lei, o juiz deve considerar como discriminat<\/span><\/em><em><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><\/em><em><span lang=\"PT\">ria qualquer atitude ou tratamento dado\u00a0<strong>\u00e0 pessoa ou a grupos minorit\u00e1rios<\/strong>\u00a0que cause constrangimento, humilha\u00e7\u00e3o, vergonha, medo ou exposi\u00e7\u00e3o indevida, e que usualmente n\u00e3o se dispensaria a outros grupos em raz\u00e3o da cor, etnia, religi\u00e3o ou proced\u00eancia.\u00a0<\/span><\/em><span lang=\"ES-TRAD\"><a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2023-2026\/2023\/Lei\/L14532.htm%23art1\">(<\/a><a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2023-2026\/2023\/Lei\/L14532.htm%23art1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Inclu<\/a><\/span><span lang=\"PT\"><a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2023-2026\/2023\/Lei\/L14532.htm%23art1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00eddo<\/a>\u00a0pela Lei n\u00ba 14.532, de 2023)&#8221;<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Inicialmente, destaca-se que o termo minorias foi despropositado, pois se presume que minorit\u00e1rios s\u00e3o os grupos avaliados num\u00e9rica e proporcionalmente frente \u00e0 quantidade da popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Ainda que o aspecto sexista n\u00e3o seja o escopo da presente lei, mulheres s\u00e3o maioria, mas ainda assim precisam de prote\u00e7\u00e3o acentuada. Pardos (47%) e pretos (9%) s\u00e3o maioria no Brasil\u00a0<\/span><a title=\"\" href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2023-jan-17\/comentarios-injuria-racista-recreativa#_ftn2\" name=\"_ftnref\"><span lang=\"PT\">[2]<\/span><\/a><span lang=\"PT\">, mas ainda assim s\u00e3o beneficiados por pol\u00edticas p\u00fablicas de inser\u00e7\u00e3o social, a exemplo das cotas para ingresso em universidades e em concursos p\u00fablicos.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Por isso, a terminologia minorias parece despropositada. O objeto da prote\u00e7\u00e3o legal \u2014 e a sua melhor exegese \u2014 deve-se nortear pela necessidade de se construir um pa\u00eds livre de qualquer tipo de intoler\u00e2ncia entre todos os seus habitantes, n\u00e3o reduzindo isso ao r\u00f3tulo de minorias.<\/span><\/p>\n<p class=\"signature\"><a href=\"mailto:%70%72%61%74%69%63%61%70%6f%6c%69%63%69%61%6c%40%67%6d%61%69%6c%2e%63%6f%6d\" rel=\"author\">Adriano Sousa Costa<\/a>\u00a0\u00e9 delegado de Pol\u00edcia Civil de Goi\u00e1s, autor pela Juspodivm e Impetus, professor da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Verbo Jur\u00eddico, MeuCurso e Cers, membro da Academia Goiana de Direito, doutorando em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela UnB e mestre em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela UFG.<\/p>\n<p class=\"signature\"><a href=\"mailto:%69%76%61%6e%61%64%61%76%69%64%40%74%6a%73%70%2e%6a%75%73%2e%62%72\" rel=\"author\">Ivana David<\/a>\u00a0\u00e9 desembargadora do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado de S\u00e3o Paulo, integrante da Coordenadoria Criminal e de Execu\u00e7\u00f5es Criminais do Tribunal de Justi\u00e7a e professora do MeuCurso, Cers, ESA Campinas, Associa\u00e7\u00e3o dos Magistrados Brasileiros, Escola Nacional de Forma\u00e7\u00e3o e Aperfei\u00e7oamento de Magistrados, Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Magistrados, Escola Paulista da Magistratura, Escola da Magistratura do Estado de Rond\u00f4nia, Escola Superior da Magistratura do Esp\u00edrito Santo e Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p class=\"signature\">William Bretz\u00a0\u00e9 delegado de Pol\u00edcia Civil de Goi\u00e1s, professor de cursos preparat\u00f3rios e especialista em Direito pela Universidade C\u00e2ndido Mendes do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Revista\u00a0<strong>Consultor Jur\u00eddico<\/strong>, 17 de janeiro de 2023, 11h16<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Adriano Sousa Costa,\u00a0Ivana David\u00a0e\u00a0William Bretz Breve hist\u00f3rico A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 traz expresso o rep\u00fadio ao racismo, bem como, em seu artigo 5\u00ba, inciso XLII, imp\u00f4s-lhe o r\u00f3tulo da inafian\u00e7abilidade e da imprescritibilidade. 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