{"id":3316,"date":"2022-12-13T22:16:18","date_gmt":"2022-12-14T01:16:18","guid":{"rendered":"http:\/\/adepol-al.com.br\/portal\/?p=3316"},"modified":"2022-12-13T22:20:08","modified_gmt":"2022-12-14T01:20:08","slug":"3316-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adepol-al.com.br\/portal\/3316-2\/","title":{"rendered":"V\u00edcios de higidez valorativo-probat\u00f3ria na cadeia de cust\u00f3dia"},"content":{"rendered":"<p class=\"PadroA\"><strong><span lang=\"PT\">A utopia custodial e a flexibiliza\u00e7\u00e3o da per\u00edcia oficial<\/span><\/strong><br \/>\n<span lang=\"PT\">Com a vig<\/span><span lang=\"PT\">\u00eancia da Lei do Pacote Anticrime (Lei n\u00ba\u00a013.964\/2019) foram introduzidos dispositivos no C<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">digo de Processo Penal normatizando\u00a0<\/span><span lang=\"IT\">a cadeia de cust\u00f3dia. A<\/span><span lang=\"PT\">inda assim, o<\/span>\u00a0<span lang=\"PT\">tema \u00e9 explorado insuficientemente por nossa literatura.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\"><img decoding=\"async\" class=\"direita\" src=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/img\/b\/adriano-sousa-costa2.png\" alt=\"\" width=\"220\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Os dispositivos legais previstos no CPP (artigo 158-A e seguintes) tratam do escalonamento custodial, passando por conte<\/span><span lang=\"PT\">\u00fados elementares como coleta, an\u00e1<\/span><span lang=\"IT\">lise, preserva<\/span><span lang=\"PT\">\u00e7\u00e3o e acondicionamento do vest\u00edgio. Essa conceitua\u00e7\u00e3o codificada, exaustiva e minudente, a qual, sinceramente, poderia ter sido relegada a um outro instrumento normativo posterior (decreto, por exemplo), acabou criando ambiente prop\u00edcio para reiterados pedidos de nulidade de processos judiciais por contamina\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">A nosso ver, esse novel<\/span><span lang=\"IT\">\u00a0procedimento custodial<\/span><span lang=\"PT\">, desenhado pelo legislador nos artigos 158-A e seguintes do CPP, n\u00e3<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">o parece\u00a0<\/span><span lang=\"PT\">estar perfeitamente sincronizado com a realidade brasileira. Primeiro, porque\u00a0<\/span><span lang=\"FR\">\u00e9\u00a0<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">consabida a falta de cultura organizacional, dificultando<\/span><span lang=\"PT\">\u00a0a ades\u00e3o massiva de policiais ostensivos a ditames burocratizados, principalmente quando n\u00e3o conseguem visualizar a sua efetividade pr\u00e1tica; segundo, porque em um pa\u00eds em que h\u00e1 cerca de 50 mil homic\u00eddios ao ano n\u00e3o parece que os policiais consigam aplicar utopias probantes; terceiro, pela absurda lacuna de recursos humanos e materiais das corpora\u00e7\u00f5es policiais e dos pr<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">prios institutos de per\u00ed<\/span><span lang=\"FR\">cia<\/span><span lang=\"PT\">, os quais n\u00e3o receberam aporte estrutural para tanto.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">E isso tudo\u00a0<\/span><span lang=\"PT\">\u00e9 catalisado por um sistema persecut\u00f3rio no qual se coloca a per\u00edcia criminal como necess\u00e1ria ainda que em circunst\u00e2ncias de f\u00e1<\/span><span lang=\"IT\">cil constata<\/span><span lang=\"PT\">\u00e7\u00e3o e de possibilidade de\u00a0<\/span><span lang=\"IT\">prova<\/span><span lang=\"PT\">\u00a0por outros meios, tornando-a imprescind\u00edvel mesmo quando nenhum tipo de conhecimento cient\u00edfico mais apurado seja necess\u00e1rio para chegar a uma conclus\u00e3o l\u00f3gica.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Por isso, reagindo a tais mandamentos, j<\/span><span lang=\"PT\">\u00e1 se percebe um movimento jurisprudencial no sentido de flexibilizar a per\u00edcia oficial, mormente quando n\u00e3o seja necess\u00e1rio conhecimento cient\u00edfico espec\u00edfico e quando houver possibilidade de ser a circunst\u00e2ncia demonstrada por outros elementos h\u00e1beis: constata\u00e7\u00e3o de dano (AgRg no HC 736.752\/SP &#8211; STJ), escalada e\/arrombamento para a qualificadora do crime de furto (AgRg no REsp n\u00ba 1.583.053\/RS &#8211; STJ) e a aptid\u00e3o lesiva de arma empregada no contexto do roubo (AgRg no AREsp 2.076.555 \/ RS &#8211; STJ).<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><strong><span lang=\"PT\">F\u00f3rmula geral de purga\u00e7\u00e3o da ilicitude<\/span><\/strong><br \/>\n<span lang=\"PT\">N<\/span><span lang=\"PT\">\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o legal expressa sobre a possibilidade de purga\u00e7\u00e3o dos efeitos decorrentes da quebra dessa cadeia de cust<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"IT\">dia (<\/span><em><span lang=\"EN-US\">break in the chain of custody<\/span><\/em><span lang=\"PT\">), nem muito menos se mencionam as formas de se superarem eventuais irregularidades formais. Na verdade, n\u00e3o existe consenso nem mesmo sobre os caminhos para se superarem as m\u00e1culas que ocasionam a ilicitude real de uma prova.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">E, se o legislador n<\/span><span lang=\"PT\">\u00e3o o fez, o STJ foi impulsionado a construir um procedimento saneador padr\u00e3o para casos semelhantes. A grosso modo, em estando preservada a fonte da prova, poss\u00edvel a purga\u00e7\u00e3o por um novo caminho (absolutamente independente). Essa nos parece a regra adotada, em homenagem ao artigo 158, \u00a7 1\u00ba, do CPP, inclu\u00eddo pela Lei n\u00ba 11.690\/2008.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Vejamos o caso\u00a0<\/span><span lang=\"DA\">paradigm<\/span><span lang=\"PT\">\u00e1tico sobre a repetibilidade da prova, no qual a 3\u00aa Se\u00e7\u00e3o do STJ definiu que, ainda que o conte\u00fado dos aparelhos celulares tenham sido acessados sem ordem judicial por policiais militares em patrulhamento, ou seja, provas patentemente il\u00edcitas, a prova poderia ser novamente produzida, desde que observada a chancela pela autoridade judicial. At\u00e9 porque a fonte da prova estaria preservada, j\u00e1 que a apreens\u00e3o do celular foi l\u00edcita; il\u00edcita foi somente a sua an\u00e1lise.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA indent1\"><em><span lang=\"PT\">6. O acesso a mensagens do WhatsApp decorrente de busca pessoal e sem autoriza\u00e7\u00e3o judicial constitui viola\u00e7\u00e3o de uma garantia fundamental e, portanto, sua utiliza\u00e7\u00e3o possui a natureza de prova il\u00edcita, e n\u00e3o de prova meramente ileg\u00edtima.<\/span><br \/>\n<span lang=\"PT\">7. Sem embargo, ainda que exclu\u00edda a prova il\u00edcita, enquanto tal, \u00e9 poss\u00edvel sua renova\u00e7\u00e3o, se, ainda existente e dispon\u00edvel no mundo real, puder ser trazida ao processo pelos meios leg\u00edtimos e legais.Assim, muito embora a ilicitude imponha o desentranhamento das provas obtidas ilegalmente, nada impede seja renovada a coleta de dados (banc\u00e1rios, documentais, fotogr\u00e1ficos etc), com a devida autoriza\u00e7\u00e3o judicial. Precedentes.<\/span><br \/>\n<span lang=\"PT\">[&#8230;]<\/span><br \/>\n<span lang=\"PT\">12. Sendo certo, por\u00e9m, que a apreens\u00e3o do celular do reclamante foi legal, por haver sido ele flagrado na posse de droga, n\u00e3o h\u00e1 preju\u00edzo a que, realizada per\u00edcia sobre o aparelho, eventualmente se reinicie a a\u00e7\u00e3o penal.<\/span><br \/>\n<span lang=\"PT\">13. Reclama\u00e7\u00e3o improcedente. Ordem concedida de of\u00edcio para reconhecer a nulidade do processo ab initio, sem preju\u00edzo de que, realizada a per\u00edcia, desta feita por decis\u00e3o judicial motivada, seja eventualmente apresentada nova den\u00fancia e deflagrada outra a\u00e7\u00e3o penal.\u00a0<\/span><\/em><span lang=\"PT\">(Rcl 36.734\/SP, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, 3\u00aa SE\u00c7\u00c3O, julgado em 10\/02\/2021, DJe 22\/02\/2021)<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">O que importa dizer\u00a0<\/span><span lang=\"PT\">\u00e9 que a f\u00f3rmula acima n\u00e3o se amolda perfeitamente ao malferimento das regras custodiais, at\u00e9 porque s\u00e3o v\u00edcios de natureza diferente.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><strong><span lang=\"PT\">Consequ\u00eancias da quebra da cadeia de cust\u00f3dia:\u00a0<\/span><\/strong><strong><span lang=\"PT\">v\u00edcios de higidez valorativo-probat\u00f3ria<\/span><\/strong><br \/>\n<span lang=\"PT\">Percebe-se que, com tal leni<\/span><span lang=\"PT\">\u00eancia, o legislador acabou delegando \u00e0 doutrina e \u00e0\u00a0<\/span><span lang=\"IT\">jurisprud<\/span><span lang=\"PT\">\u00eancia a tarefa de estabelecer a san\u00e7\u00e3o pelo descumprimento do referido procedimento custodial e, principalmente, especificar quando a nulidade absoluta deveri<\/span><span lang=\"IT\">a ser<\/span><span lang=\"PT\">\u00a0necessariamente declarada. Surgiram, ent\u00e3o, duas correntes:<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA indent1\"><em><span lang=\"PT\">1\u00aa corrente: a consequ\u00ea<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">ncia\u00a0<\/span><span lang=\"FR\">\u00e9\u00a0<\/span><span lang=\"PT\">a ilicitude da prova, com a sua exclus\u00e3o, assim como das demais provas dela derivadas (sinonimiza quebra de cadeia de cust<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">dia com prova il\u00ed<\/span><span lang=\"PT\">cita). Essa \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o de Geraldo Prado, Gustavo Junqueira, Patr\u00edcia Vanzolini, Paulo Fuller e Rodrigo Pardal.<br \/>\n2\u00aa corrente: a quebra da cadeia de cust<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">dia n\u00e3o leva, obrigatoriamente, \u00e0 ilicitude ou \u00e0 ilegitimidade da prova, devendo ser analisado o caso concreto (prioriza o livre convencimento do magistrado para sopesar a influ\u00eancia da quebra de cadeia de cust<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">dia sobre a higidez da prova). Essa \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o de Guilherme Nucci e de Gustavo Henrique Badar\u00f3.<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"EN-US\">A discuss<\/span><span lang=\"PT\">\u00e3o tamb\u00e9m foi enfrentada pelo STJ no julgamento do HC 653.515-RJ, no qual o referido Tribunal acolheu os argumentos da segunda corrente, conforme:<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA indent1\"><em><span lang=\"PT\">7. Mostra-se mais adequada a posi\u00e7\u00e3o que sustenta que as irregularidades constantes da cadeia de cust<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">dia devem ser sopesadas pelo magistrado com todos os elementos produzidos na instru\u00e7\u00e3o, a fim de aferir se a prova\u00a0<\/span><span lang=\"FR\">\u00e9\u00a0<\/span><span lang=\"IT\">confi<\/span><span lang=\"PT\">\u00e1vel. [&#8230;]<\/span><br \/>\n<span lang=\"PT\">[&#8230;]<\/span><\/em><br \/>\n<em><span lang=\"PT\">12. N\u00e3o foi a simples inobserv\u00e2ncia do procedimento previsto no art. 158-D, \u00a7 1\u00ba, do CPP que induz a concluir pela absolvi\u00e7\u00e3o do r<\/span><span lang=\"FR\">\u00e9<\/span><span lang=\"PT\">u em rela\u00e7\u00e3o ao crime de tr\u00e1fico de drogas; foi a aus\u00eancia de outras provas suficientes o bastante a formar o convencimento judicial sobre a autoria do delito a ele imputado.\u00a0<\/span><span lang=\"IT\">A quest<\/span><span lang=\"PT\">\u00e3o relativa \u00e0 quebra da cadeia de cust<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">dia da prova merece tratamento acurado, conforme o caso analisado em concreto, de maneira que, a depender das peculiaridades da hip<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><\/em><span lang=\"PT\"><em>tese analisada, pode haver diferentes desfechos processuais para os casos de descumprimento do assentado no referido dispositivo lega<\/em>l.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">A nosso ver, acertada a tese acolhida pelo STJ, uma vez que n<\/span><span lang=\"PT\">\u00e3<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">o h<\/span><span lang=\"PT\">\u00e1, com eventual quebra da cadeia de cust\u00f3dia,\u00a0<\/span><span lang=\"IT\">viola<\/span><span lang=\"PT\">\u00e7\u00e3o frontal a lei material com suped\u00e2neo constitucional ao ponto de justificar a n\u00f3doa total do elemento. Principalmente porque esse tipo de rigor procedimental n\u00e3o parece promover a aplica\u00e7\u00e3o justa da norma material; no m\u00e1ximo, afeta a credibilidade probante do elemento perante o julgador. Por isso nominamos isso de v\u00edcio de higidez valorativo-probat\u00f3ria. Em semelhante sentido, a li\u00e7\u00e3o de Leonardo Barreto Moreira Alves:<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA indent1\"><em><span lang=\"PT\">&#8220;\u00c9 dizer, a quebra da cadeia de cust<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">dia n\u00e3o resulta, necessariamente, em prova il\u00edcita ou ileg\u00edtima, interferindo apenas na valora\u00e7\u00e3o dessa prova pelo julgador. A irregularidade na cadeia de cust<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">dia reduzir\u00e1 a credibilidade da prova, diminuir\u00e1 o seu valor, passando-se a ser exigido do juiz um refor\u00e7o justificativo caso entenda ser poss\u00edvel confiar na integridade e na autenticidade da prova e resolva utiliz\u00e1-la na forma\u00e7\u00e3o do seu convencimento. Enfim, &#8220;<\/span><span lang=\"PT\">a quebra da cadeia de cust<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">dia n\u00e3o significa, de forma absoluta, a inutilidade da prova colhida. \u00c9\u00a0<\/span><span lang=\"IT\">preciso n<\/span><span lang=\"PT\">\u00e3o se esquecer que a cadeia de cust<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">dia existe n\u00e3o para provar algo, mas para garantir uma maior seguran\u00e7a \u2014 dentro do poss\u00ed<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">vel\u00a0<\/span><span lang=\"FR\">\u2014 \u00e0\u00a0<\/span><span lang=\"PT\">colheita, ao armazenamento e \u00e0 an\u00e1lise pericial da prova [&#8230;].\u00a0Desta forma, a an\u00e1lise do elemento coletado e periciado, se houver quebra dos procedimentos de cadeia de cust<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"IT\">dia, interferir<\/span><span lang=\"PT\">\u00e1 apenas e t\u00e3o somente na valora\u00e7\u00e3o dessa prova pelo julgador<\/span><\/em><span lang=\"PT\"><em>&#8220;<\/em>\u00a0(Manual de Processo Penal. Salvador: Juspodivm, 2021, p. 754).<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Por isso,\u00a0<\/span><span lang=\"IT\">o processo d<\/span><span lang=\"PT\">e an\u00e1lise do fiel cumprimento da cadeia de cust<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">dia volta-se novamente ao papel de destaque do magistrado,<\/span><span lang=\"IT\">\u00a0destinat<\/span><span lang=\"PT\">\u00e1rio das provas, o qual sopesar\u00e1 a confiabilidade delas no desfecho do procedimento criminal. Isso porque, no Brasil, a autentica\u00e7\u00e3<\/span><span lang=\"IT\">o da prova influi\u00a0<\/span><span lang=\"PT\">mais em sua\u00a0<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">valora<\/span><span lang=\"PT\">\u00e7\u00e3o do que em sua admissibilidade.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"IT\">E essa introdu<\/span><span lang=\"PT\">\u00e7\u00e3o sobre a cadeia de cust\u00f3dia se faz necess\u00e1ria para a discuss\u00e3o sobre a flexibiliza\u00e7\u00e3o de tal rito ao longo da evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica do crime e da respectiva investiga\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><strong><span lang=\"PT\">Acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es em celulares apreendidos<\/span><\/strong><br \/>\n<span lang=\"PT\">Na investiga<\/span><span lang=\"PT\">\u00e7\u00e3o criminal contempor\u00e2nea, a apreens\u00e3o de aparelhos celulares se tornou uma indiscut\u00edvel fonte de provas, uma vez que os\u00a0<\/span><em><span lang=\"EN-US\">smartphones<\/span><\/em><span lang=\"IT\">\u00a0guardam, al<\/span><span lang=\"FR\">\u00e9<\/span><span lang=\"PT\">m de di\u00e1logos nos mais variados aplicativos, dados de localiza\u00e7\u00e3<\/span><span lang=\"EN-US\">o, hist<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">rico de pesquisas, dados banc\u00e1rios, fotos, etc..<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Neste\u00a0<\/span><span lang=\"PT\">\u00e2mbito, o apreens\u00e3o e acesso leg\u00edtimos aos dados telem\u00e1ticos contidos nos aparelhos celulares dependem de autoriza\u00e7\u00e3o judicial, quando submetidos \u00e0 cl\u00e1usula de reserva de jurisdi\u00e7\u00e3<\/span><span lang=\"IT\">o.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Fato\u00a0<\/span><span lang=\"PT\">\u00e9 que nem toda an\u00e1lise de dados contidos no aparelho celular precisa passar pelo pr\u00e9vio crivo do Poder Judici\u00e1rio, mas somente aquelas que receberam especial prote\u00e7\u00e3o do ordenamento jur\u00eddico. Por essa raz\u00e3o, o acesso direto do policial \u00e0\u00a0<\/span><span lang=\"IT\">agenda de contato telef<\/span><span lang=\"PT\">\u00f4nicos do investigado pela autoridade policial n\u00e3o\u00a0<\/span><span lang=\"FR\">\u00e9\u00a0<\/span><span lang=\"PT\">eivado de ilicitude (REsp 1.782.386, STJ)<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Por outro lado, acessos a informa<\/span><span lang=\"PT\">\u00e7\u00f5es protegidas constitucionalmente precisam de chancela judicial. Mas isso n\u00e3o indica que se necessite de uma ordem judicial espec\u00edfica para cada a\u00e7\u00e3o a ser realizada pelo policial. Por exemplo, uma vez decretada a busca e apreens\u00e3o de aparelhos celulares n\u00e3o se faz necess\u00e1ria nova autoriza\u00e7\u00e3o judicial para acesso a dados sigilosos contidos nos aparelhos, como dados banc\u00e1rios, fiscais ou de di\u00e1logos em aplicativos de conversa. O celular, que \u00e9 objeto da medida constritiva probat\u00f3ria, \u00e9 um conjunto de\u00a0<em>firmware<\/em>,\u00a0<em>hardware<\/em>\u00a0e dos respectivos conte\u00fados, ainda que gravados de sigilo constitucional. \u00c9 invi\u00e1vel dissociar o conte\u00fado do aparelho, portanto.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA indent1\"><em><span lang=\"PT\">O acesso ao conte\u00fado armazenado em telefone celular ou smartphone, quando determinada judicialmente a busca e apreens\u00e3o destes aparelhos, n\u00e3o ofende o artigo\u00a05\u00ba, inciso XII, da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, porquanto o sigilo a que se refere o aludido preceito constitucional\u00a0<\/span><span lang=\"FR\">\u00e9\u00a0<\/span><span lang=\"PT\">em rela\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0<\/span><span lang=\"EN-US\">intercepta<\/span><span lang=\"PT\">\u00e7\u00e3<\/span><span lang=\"IT\">o telef<\/span><span lang=\"PT\">\u00f4nica ou telem\u00e1tica propriamente dita, ou seja,\u00a0<\/span><span lang=\"FR\">\u00e9\u00a0<\/span><span lang=\"PT\">da comunica\u00e7\u00e3o de dados, e n\u00e3o dos dados em si mesmos.\u00a0<\/span><span lang=\"NL\">III &#8211; N<\/span><span lang=\"PT\">\u00e3<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">o h<\/span><span lang=\"PT\">\u00e1 nulidade quando a decis\u00e3o que determina a busca e apreens\u00e3<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">o est<\/span><span lang=\"PT\">\u00e1 suficientemente fundamentada, como ocorre na esp<\/span><span lang=\"FR\">\u00e9<\/span><span lang=\"PT\">cie. IV &#8211; Na pressuposi\u00e7\u00e3o da ordem de apreens\u00e3o de aparelho celular ou smartphone est\u00e1 o acesso aos dados que neles estejam armazenados, sob pena de a busca e apreens\u00e3o resultar em medida \u00edrrita, dado que o aparelho desprovido de conte\u00fado simplesmente n\u00e3o ostenta virtualidade de ser utilizado como prova criminal. V &#8211; Hip<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><\/em><span lang=\"PT\"><em>tese em que, demais disso, a decis\u00e3o judicial expressamente determinou o acesso aos dados armazenados nos aparelhos eventualmente apreendidos, robustecendo o alvitre quanto \u00e0 licitude da prova. Recurso desprovido.<\/em>\u00a0(RHC 75.800\/PR, rel. ministro FELIX FISCHER, 5\u00aa TURMA, julgado em 15\/9\/2016, DJe 26\/9\/2016)<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><strong><span lang=\"PT\">Relat\u00f3rio policial e per\u00edcia<\/span><\/strong><br \/>\n<span lang=\"ES-TRAD\">No\u00a0<\/span><span lang=\"PT\">\u00e2mbito dos tribunais superiores, em especial no STJ, debate-se sobre a necessidade, ou n\u00e3o, de per\u00edcia sobre todo e qualquer dado contido em aparelhos telef\u00f4nicos apreendidos. Inclusive, se o acesso por membros da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria gera a quebra de cadeia de cust<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"IT\">dia.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Tanto o trabalho do policial, como eventual exame pericial, fundam-se na mesma origem: o celular. Ele \u00e9 a real fonte de prova.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Na pr<\/span><span lang=\"PT\">\u00e1tica, ap<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">s apreens\u00e3o do aparelho celular apreendido por ordem judicial, os dados passam para a an\u00e1lise da equipe de investiga\u00e7\u00e3o. E o trabalho dos policiais \u00e9, materializado em relat\u00f3rio, descrever os dados contidos no aparelho.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">E esse relat<\/span><span lang=\"PT\">\u00f3rio de an\u00e1lise \u00e9 relevante, pois permite a conjuga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o que v\u00e3o al\u00e9m do conte\u00fado do aparelho, pois, inclusive, menciona como o celular foi apreendido e quem era o respons\u00e1vel por ele. E esses dados contextuais s\u00e3o essenciais para a escorreita delimita\u00e7\u00e3o da cadeia de cust\u00f3dia, inclusive.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Al<\/span><span lang=\"PT\">\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 qualquer previs\u00e3o legal de uma necess\u00e1ria per\u00edcia criminal de extra\u00e7\u00e3o e de an\u00e1lise de dados, sendo que a defesa de tal imprescindibilidade torna burocr\u00e1tico um procedimento investigat\u00f3rio frequentemente complexo, perpetualizando-o por vezes. E isso parece ofender ao mandamento de n\u00e3o procrastina\u00e7\u00e3o injustificada das investiga\u00e7\u00f5es, consubstanciado no artigo 31 da Lei de Abuso de Autoridade.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">O relat<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">rio de an\u00e1lise n\u00e3<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">o demanda expertise inform<\/span><span lang=\"PT\">\u00e1tica da equipe de investiga\u00e7\u00e3o, ainda que o tenha, tendo em vista que apenas sintetiza em um documento as informa\u00e7\u00f5es relevantes para a investiga\u00e7\u00e3o criminal, buscadas no aparelho celular (que \u00e9 a fonte da prova).<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Por isso, a nosso ver, a mera transcri<\/span><span lang=\"PT\">\u00e7\u00e3o de troca de mensagens em relat\u00f3rio, inclusive com lastro em fotos da tela do aparelho celular, ou ainda, o uso de\u00a0<\/span><em><span lang=\"EN-US\">prints,\u00a0<\/span><\/em><span lang=\"PT\">como forma de ilustrar o di\u00e1logo entre o investigado e interlocutores, n\u00e3o\u00a0<\/span><span lang=\"FR\">\u00e9\u00a0<\/span><span lang=\"PT\">eivada de m\u00e1cula, tal qual j\u00e1 decidiu o Superior Tribunal de Justi\u00e7<\/span><span lang=\"IT\">a, conforme:<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA indent1\"><em><span lang=\"PT\">O instituto da quebra da cadeia de cust<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">dia diz respeito \u00e0 idoneidade do caminho que deve ser percorrido pela prova at<\/span><span lang=\"FR\">\u00e9\u00a0<\/span><span lang=\"IT\">sua an<\/span><span lang=\"PT\">\u00e1lise pelo magistrado, sendo certo que qualquer interfer\u00eancia durante o tr\u00e2mite processual pode resultar na sua imprestabilidade. Tem como objetivo garantir a todos os acusados o devido processo legal e os recursos a ele inerentes, como a ampla defesa, o contradit<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">rio e principalmente o direito \u00e0\u00a0<\/span><span lang=\"IT\">prova l<\/span><span lang=\"PT\">\u00ed<\/span><span lang=\"IT\">cita.\u00a0<\/span><span lang=\"PT\">2. No presente caso, n\u00e3o foi verificada a ocorr\u00eancia de quebra da cadeia de cust<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">dia, pois em nenhum momento foi demonstrado qualquer ind\u00edcio de adultera\u00e7\u00e3o da prova, ou de altera\u00e7\u00e3o da ordem cronol<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">gica da conversa de WhatsApp obtida atrav<\/span><span lang=\"FR\">\u00e9<\/span><span lang=\"PT\">s dos prints da tela do aparelho celular da v\u00edtima.<\/span>\u00a0<span lang=\"PT\">3. In casu, o magistrado singular afastou a ocorr\u00eancia de quaisquer elementos que comprovassem a altera\u00e7\u00e3o dos prints, entendendo que mantiveram &#8220;uma sequ\u00ea<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">ncia l\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">gica temporal&#8221;, com continuidade da conversa, uma vez que &#8220;uma mensagem que aparece na parte de baixo de uma tela, aparece tamb<\/span><span lang=\"FR\">\u00e9<\/span><span lang=\"PT\">m na parte superior da tela seguinte, indicando que, portanto, n\u00e3o s\u00e3<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">o trechos desconexos&#8221;<\/span><span lang=\"PT\">.\u00a0<\/span><span lang=\"PT\">4. O acusado, embora tenha alegado possuir contraprova, quando instado a apresent\u00e1-la, furtou-se de entregar o seu aparelho celular ou de exibir os prints que alegava terem sido adulterados, o que s\u00f3 refor\u00e7a a legitimidade da prova.<\/span>\u00a0<span lang=\"RU\">5. &#8220;N<\/span><span lang=\"PT\">\u00e3o se verifica a alegada &#8216;quebra da cadeia de cust<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">dia&#8217;, pois nenhum elemento veio aos autos a demonstrar que houve adultera\u00e7\u00e3o da prova, altera\u00e7\u00e3o na ordem cronol<\/span><span lang=\"ES-TRAD\">\u00f3<\/span><span lang=\"PT\">gica dos di\u00e1logos ou mesmo interfer\u00eancia de quem quer que seja, a ponto de invalidar a prova&#8221;. (HC 574.131\/RS, rel. ministro Nefi Cordeiro, 6\u00aa Turma, julgado em 25\/8\/2020, DJe 4\/9\/2020)<\/span><\/em><span lang=\"PT\"><em>.<\/em>\u00a0(AgRg no HC 752444 \/ SC AGRAVO REGIMENTAL NO HC 2022\/0197646-2)<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><strong><span lang=\"PT\">Conclus\u00e3o: os riscos da banaliza\u00e7\u00e3o do conceito de prova il\u00edcita<\/span><\/strong><br \/>\n<span lang=\"PT\">Esse debate ganha relev<\/span><span lang=\"PT\">\u00e2ncia acad\u00eamica, pois a banaliza\u00e7\u00e3o do conceito de prova il\u00edcita \u00e9 um risco n\u00e3o s\u00f3 para a higidez da persecu\u00e7\u00e3o penal, mas tamb\u00e9m para os seus pr\u00f3prios agentes. \u00c9 que dar o r\u00f3tulo de il\u00edcito quando, a nosso ver, h\u00e1 mera irregularidade procedimental no desatendimento de rito custodial, ocasionando meros v\u00edcios de higidez valorativo-probat\u00f3ria, parece desproporcional.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Ainda que a Lei de Abuso de Autoridade seja de dif<\/span><span lang=\"PT\">\u00edcil aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica nesse tipo de v\u00edcio (pela necessidade de demonstra\u00e7\u00e3o de dolo gen\u00e9rico e de dolo espec\u00edfico), uma interpreta\u00e7\u00e3o outra pode desmotivar a Autoridade Policial a usar elementos que, ainda que por mera hermen\u00eautica doutrin\u00e1ria ou jurisprudencial, sejam potencialmente taxados com o r\u00f3tulo da ilicitude.<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA indent1\"><em><span lang=\"PT\">Art. 25. Proceder \u00e0\u00a0<\/span><span lang=\"FR\">obten<\/span><span lang=\"PT\">\u00e7\u00e3o de prova, em procedimento de investiga\u00e7\u00e3o ou fiscaliza\u00e7\u00e3o, por meio manifestamente il\u00ed<\/span><span lang=\"IT\">cito:<\/span>\u00a0<span lang=\"IT\">Pena &#8211; deten<\/span><span lang=\"PT\">\u00e7\u00e3o, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Par\u00e1grafo \u00fa<\/span><span lang=\"IT\">nico.<\/span>\u00a0<span lang=\"PT\">Incorre na mesma pena quem faz uso de prova, em desfavor do investigado ou fiscalizado, com pr<\/span><span lang=\"FR\">\u00e9<\/span><\/em><span lang=\"PT\"><em>vio conhecimento de sua ilicitude.<\/em>\u00a0(Lei n\u00ba 13.869\/2019)<\/span><\/p>\n<p class=\"PadroA\"><span lang=\"PT\">Por isso, t<\/span><span lang=\"PT\">\u00e3o relevante que se compreenda que eventuais v\u00edcios gerados pela quebra da cadeia de cust\u00f3dia se vinculam mais ao conceito de irregularidade procedimental (pelo malferimento de ritos) do que de uma ilicitude real, que deve se restringir \u00e0s ofensas mais graves frutos de viola\u00e7\u00e3o de regras materiais e constitucionais.<\/span><\/p>\n<p class=\"signature\"><a href=\"mailto:%70%72%61%74%69%63%61%70%6f%6c%69%63%69%61%6c%40%67%6d%61%69%6c%2e%63%6f%6d\" rel=\"author\">Adriano Sousa Costa<\/a>\u00a0\u00e9 delegado de Pol\u00edcia Civil de Goi\u00e1s, autor pela Juspodivm e Impetus, professor da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Verbo Jur\u00eddico, MeuCurso e Cers, membro da Academia Goiana de Direito e doutorando em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela UnB e mestre em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela UFG.<\/p>\n<p class=\"signature\">M\u00e1rio Dermeval Aravechia de Resende\u00a0\u00e9 delegado-geral da Pol\u00edcia Civil do Mato Grosso e atual presidente do Conselho Nacional dos Chefes de Pol\u00edcia (CONCPC).<\/p>\n<p class=\"signature\">Hudson Benedetti\u00a0\u00e9 delegado de Pol\u00edcia Civil de Goi\u00e1s, professor de Direito Penal para carreiras policiais do curso CPPol\u00edcia, p\u00f3s-graduado em Direito Administrativo pela Universidade C\u00e2ndido Mendes e p\u00f3s-graduado em Ordem Jur\u00eddica e Minist\u00e9rio P\u00fablico pela Escola Superior do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Distrito Federal e Territ\u00f3rios (FespMDFT).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A utopia custodial e a flexibiliza\u00e7\u00e3o da per\u00edcia oficial Com a vig\u00eancia da Lei do Pacote Anticrime (Lei n\u00ba\u00a013.964\/2019) foram introduzidos dispositivos no C\u00f3digo de Processo Penal normatizando\u00a0a cadeia de cust\u00f3dia. 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